Santo Antônio do Monte: Sonhos de casamento são interrompidos por explosão

Os dois sonhos de Cláudio de Lima Oliveira, 38, para este ano eram voltar para seu Estado natal, a Bahia, e casar-se no civil com sua companheira com quem teve três filhos com idades entre 7 e 13 anos. O amigo Alberto Monteiro, 41, também planejava oficializar sua união com a mulher. Os desejos deles foram tragicamente interrompidos por uma explosão na fábrica de fogos de artifício Apollo, em Santo Antônio do Monte, na região Central do Estado, onde trabalhavam. Os dois morreram na manhã de sexta-feira (7) no incêndio que foi controlado por funcionários e pela Polícia Militar.

“O Cláudio era superprofissional, não brincava no trabalho. Levava tudo muito a sério”, disse uma parente, que não quis se identificar. Um ex-colega de trabalho das vítimas, que também pediu anonimato, disse que os dois eram muito próximos e costumavam almoçar e lanchar juntos.

A companheira de Cláudio, Eliene da Silva Pacheco, 37, trabalha na mesma fábrica de fogos de artifício. Ela estava na empresa no momento da explosão. Funcionários contaram que Eliene chegou a ir com os outros para um pátio seguro – indicado pela empresa em casos de incidentes. “Ela ficou esperando. Alguns funcionários já sabiam que havia sido ele (a vítima), mas ninguém teve coragem de contar para ela”, relatou um colega de trabalho, sob anonimato. “Aconteceu o que aconteceu, o que a gente pode fazer?”, disse Eliene, ainda muito abalada.

Ela ainda mantém vivo o sonho de voltar para a Bahia. “Era eu quem queria ir, ele falava em ir muito mais para me agradar”, contou. Cláudio teve outros três filhos, entre 10 e 17 anos, com a primeira mulher.

Interditada. A fábrica Apollo está fechada, e a liberação depende de aval do Exército. O incidente ocorreu na linha de montagem dos fogos, segundo o coordenador do Sindicato das Indústrias de Explosivos no Estado de Minas Gerais (Sindiemg), Américo Libério da Silva. As causas serão analisadas também pela Polícia Civil, que ainda não definiu a linha de investigação.

Silva garantiu que a empresa está prestando assistência às famílias e que não havia cobrança excessiva por produtividade, mesmo porque o período de festas juninas já passou.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Fábrica de Fogos Artifício (Sindifogos), Antônio Camargos, considera a fiscalização poderia ser “bem melhor” e deveria haver mais rigor no cumprimento das normas de segurança.

Os dois sindicatos garantiram que a fábrica tinha todas as licenças e operava sem pendências com os órgãos ambientais e de segurança.

FONTE: SISTEMA MPA

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