Corte de impostos nos EUA pode tirar capital do Brasil

Trump quer reduzir carga tributária para atrair mais empresas para o país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no mês passado um plano para aquecer a economia com geração de empregos: fazer o que chamou de “maior corte de impostos da história” do país. Ainda não há um projeto apresentado ao Congresso, mas supõe-se que a ideia é cortar de 35% para 15% os impostos para empresas, atraindo de volta aos Estados Unidos grandes indústrias que hoje manufaturam seus produtos em países mais baratos. A medida pode afetar o Brasil, que tende a perder competitividade. “O impacto é relativo, pois o Brasil exporta commodities, mas ainda tem uma economia fechada. Entretanto, quanto melhor for o ambiente de negócios os Estados Unidos, menos atrativo será investir em outros países, como o Brasil”, explica o sociólogo Lucas Azambuja, professor de ciências políticas do Ibmec. Que disse que, no primeiro momento, a medida pode tirar investidores do Brasil.

Na avaliação do consultor de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o economista Alexandre Brito, a indústria brasileira não deve ser afetada. “Reduzir impostos não significa reindustrializar um país porque não é possível fazer isso de uma hora para outra. Para impactar a competitividade no Brasil, primeiro teríamos que ter demanda de importação, mas nem isso temos. E, se cai imposto e fica mais barato de um lado, sempre teremos a questão do câmbio do outro”, explica Brito.

Na opinião do consultor, os Estados Unidos enfrentarão, caso Trump leve adiante o projeto, uma grande inflação. “Eles não estão com desemprego crítico. Se baixam os preços, isso vai gerar inflação de demanda. Aí o país será obrigado a elevar os juros. Nesse caso, o impacto para o Brasil será a fuga de investimentos, porque lá ficará mais atrativo”, ressalta Brito.

A Confederação Nacional da Indústria preferiu não comentar o possível impacto para o Brasil, uma vez que o corte de impostos ainda não foi formalizado.

Lição para o Brasil. Lucas Azambuja também acredita que a redução da carga tributária nos Estados Unidos deve impactar a transferência de capital, uma vez que muitas empresas norte-americanas que produzem em outros países vão voltar motivadas pelos incentivos. “Por outro lado, fica uma lição para o governo brasileiro, de que também precisamos fazer uma reforma fiscal para simplificar o regime tributário e atrair investimentos”, diz.

O presidente executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), João Eloi Olenike, compartilha o sentimento. “Vai reduzir e simplificar a tributação sobre o lucro, para vender mais, gerar mais emprego. Assim, conseguirá fazer resultados e, depois, aumentar a arrecadação. Aqui no Brasil é o contrário, o governo tributa muito as empresas, independentemente de lucro ou prejuízo, e atrapalha a gerar resultados”, avalia.

PLANO DO TRUMP

Revisão do sistema fiscal
Redução de 35% para 15% dos impostos para as empresas

Simplificação para pessoas físicas
Atualmente, os Estados Unidos têm sete faixas de imposto de renda. A proposta é reduzir para três

Impacto
Segundo especialistas, o corte de 20 pontos percentuais pode aumentar o déficit fiscal em US$ 2 trilhões em dez anos

Expectativa
Donald Trump quer incentivar a produção no país, para elevar a geração de empregos e, futuramente, aumentar a arrecadação

ARGENTINA
Acordo beneficiará pequenas empresas

BRASÍLIA. Enquanto o mercado interno não reage, a estratégia do governo é estimular que as pequenas empresas foquem no mercado exportador para driblar a crise. Com esse propósito, avançaram as tratativas para fechar um acordo de livre comércio entre os menores empreendimentos do Brasil e da Argentina. Só com essa mudança, o governo quer dobrar o número de empresas que exportam para o país vizinho. Hoje, apenas 14% das pequenas que exportam vendem para a Argentina, onde quase a totalidade das menores empresas (90%) fazem negócio com o Brasil.

Atualmente, os pequenos negócios brasileiros respondem por apenas 1% de todas as vendas do Brasil para o exterior. Elas estão concentradas na Região Sul e nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Na Argentina, os menores negócios são responsáveis por 6% das vendas para o exterior.

Os dois governos acertaram rever o sistema de moeda local para que as operações possam ser registradas na moeda do destinatário ou do remetente e simplificá-lo. A ideia é dar condições para instituições financeiras ofertarem tarifas competitivas e com tratamento diferenciado para pequenas empresas.

Leva tempo

Mudanças. O Brasil vai implementar o Sistema de Trânsito Aduaneiro Internacional, e os dois países devem reconhecer mutuamente certificados sanitários e fitossanitários num registro só.

 

FONTE: O TEMPO

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