Júnior Fonseca – Indiana Jones em plena Marechal Deodoro

Eu ainda era estudante. Bom, estudante eu sou até hoje e pelo que vejo serei para o resto da vida, sempre me aperfeiçoando, mas quero dizer que eu ainda cursava o ensino médio.  Tempos de juventude, farras, cadernos, mochilas e de voltar a pé para casa com a barriga roncando de fome e debaixo de sol forte.

Todo dia era a mesma coisa: levantar antes das seis, ir para a escola, levar as aulas a sério, ou não, e depois pegar a tralha e voltar para a casa.

Éramos uma turma de mais ou menos seis amigos que compartilhava a amizade e o caminho.

Pelo percurso, íamos encontrando mais gente e a turma que antes se limitava a meia dúzia chegava à Escola numerosa.

Na volta, a mesma ladainha e o que parecia decoreba nas aulas, para nós se tornava enfadonho ao voltar para a casa. O mesmo caminho, as mesmas lojas, o mesmo sol forte. De diferente só quando conseguíamos uma carona, aí sim, tínhamos motivos de sobras para aprender a lição e entrar rapidamente no carro e chegar cedo em casa.

Em um dia desses, em que o sol fritava os nossos neurônios mais do que as aulas chatas de matemática, caminhávamos pela Marechal Deodoro rezando por uma carona. A rua estava

lotada de gente, alunos, carros, pessoas e suas compras. No meio da balbúrdia, apareceu o Rubinho, irmão do meu amigo Dodete em sua Fiorino. Não era uma Fiorino nova, na verdade,

para mim, era um Fiat 147 cortado, branco e com um cheirinho de frango, já que o carro era para transportar os frangos abatidos do abatedouro dele.

Mas a carona era providencial e num sol forte a carroceria da Fiorino era melhor do que qualquer limousine.

Não sei caro leitor, se você já foi pobre na vida, ou se já pegou carona. A verdade é que quando alguém pára, parece que as pessoas se multiplicam e o espaço que parecia grande se torna pequeno. Lembro-me até hoje o Rubinho parando no meio da Marechal Deodoro, atrapalhando o trânsito e pedindo para a gente subir rápido. Não sei de onde saiu tanta gente. Só sei que quando fui subir na carroceria, não havia mais lugar. As pessoas se multiplicaram e eu fiquei sem lugar de subir. Prevendo que me deixariam para trás, pausa… pior do que voltar a pé para casa é voltar a pé sozinho, continuando: corri para a parte de trás da camionete. Subi no para-choque da Fiorino, com o trânsito atrás de mim completamente congestionado.

Quando ia passar a primeira perna para dentro do carro, o Rubinho acabou arrancando a Fiorino. Com o arranque, eu me desequilibrei e fui para trás, aí pensei: “vou me jogar aqui dentro mesmo”.

Só que tão veloz quanto o meu pensamento, foi à segunda marcha passada pelo Rubinho. Resultado: meu pés escorregaram do para-choque e eu fui sendo arrastado pela Fiorino em plena Marechal Deodoro.

Sabe aquela cena do Indiana Jones?

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