Janelas invertidas – Patrícia Campos

Eu nunca usei sapatos por tantos dias seguidos como nas últimas semanas. No meu caso, tênis, é claro, que fazem o mesmo efeito de proteger os pés do frio, do vento, normais por aqui.

A primavera já deveria ter dado sinais mais do que as novas folhas nas árvores, mas até agora foi possível ver apenas alguns raios de sol. Os dias são cinza, por isso é preciso ter muita disposição. Em dias como o de hoje, muito mais. Porque há saudade, há vontade de rever a todos, alguns mais do que os outros. Especialmente um. Como lidar com a sensação de querer ir e ficar?

Mas tão cedo? Apenas quinze dias depois de deixar o Brasil? Sim, é o que acontece com as pessoas sortudas, que tem para quem e para o que voltar.

Porém, estão sendo dias maravilhosos. Apesar dos tons acinzentados do céu, das construções e das ruas, é tudo tão organizado, limpo, o transporte público funciona, a comida é barata e as janelas que se abrem a cada conversa, cada novo lugar para descobrir, cada paisagem deslumbrante, cada erro ao tentar se comunicar nunca mais irão se fechar.

Dublin para mim é como uma capital do mundo, o mesmo que dizem de Londres. Há pessoas vivendo aqui de todos os lugares possíveis. Em cada esquina uma língua diferente, uma reunião de pessoas em busca de recomeço, aprendizado. O tempo todo se escuta histórias alheias que carregam sentimentos conhecidos.

O que consegui perceber é que a maioria estava como eu, precisando de ar, reiniciar a vida de alguma forma.
Dublin: a capital dos perdidos e não mais acomodados.

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